… saudades
Hoje acordei com saudades. Não sei precisar exatamente de que ou quem, quando ou onde. Mas o sentimento que me veio hoje e forte foi a saudade.
É comum eu lembrar de coisas da época de criança. Aí sinto falta, tenho vontade de reviver. Lembro da época de escola onde uma vez, em meu aniversário de nove anos comemorado pela parte da manhã na escola da tia Ivany, me fantasiei de Super Homem. Quando fui da minha casa à escola, todos os vizinhos, comerciantes, saíram para me olhar. Com minha timidez exacerbada andei de cabeça baixa e com o rosto vermelho por uns cinco minutos (eram uns dez até chegar até à escola). A vontade era voar. Que vontade de ter o poder de me arremessar contra o vento. Quem dera poder… No colégio, quando menos esperei virei a atração. Com os colegas todos em volta, foi impossível continuar qualquer aula, pois o Super Homem estava ali. Que sede de poder eu tive, a vontade de potência, o Übermensch de Nietzsche, a antítese do “último homem”. Ali, em companhia de amigos.
Isso me traz saudades de vez em quando.
Hoje acordei com saudades daquele rosto novo, daquela nova voz, o sorriso mais lindo visto por mim em tempos. Saudades da voz digitada que ainda lembro a cor. Que cheiro bom! Suave como a canção de Roberta Sá, “Alô fevereiro”:
Todo mês de fevereiro, morena
Carnaval te espera
Querem te botar feitiço, morena
Mas também pudera.
Se ele pega no teu corpo
Vai ter gente enlouquecida
Querendo entender a tua dança
Querendo saber da tua vida.
Saudades de um dia te ver dançar, te ver cantar.



O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo…
Mário Quintana
A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.
Rubem Alves
sem mais…..