Romântico e sensual

Hoje, para não perder o costume, quero falar sobre… AMOR.

Dois fatos em menos de vinte e quatro horas me chamaram a atenção sobre essa palavra.

Ontem, dia 27.07.2010, almocei com uma pessoa do trabalho, em pleno Rio de Janeiro, com vista para a praia. Comentei que fora ao show do Nando Reis na semana passada e que tinha gostado muito e cada dia que passa, o admiro mais e mais.

Atualmente, não há quem faça canções tão próximas a mim quanto ele. Por isso a identificação.

Bem, o que ouvi foi que o Nando havia virado um cafona, um brega, que só canta sobre coisas românticas e, pior, que a música: “Pra você guardei o amor”, era a mais brega de todas que ele já ouvira.

Não sei se devia opinar, afinal cada um pensa o que quer, mas fiquei com isso na cabeça e tenho algumas questões do tipo: Para onde está indo o amor? Será que o brega sou eu? É tão fora do mapa assim falar de amor? Gosto tanto dessa canção, acho tão simples, tão melódica, tão… absurdamente linda. Afinal é uma declaração e toda declaração, para mim, deve ser plena.

O cara guarda o amor (e mesmo que a letra seja ficcional, não importa!) para alguém e lhe oferece integro e integralmente. Putz, se isso for pecado, quero pecar! Não muitas vezes, mas uma única e de verdade, forte, pleno, íntegro, integral, sem medos, sem culpas. E se errar, basta sacudir a poeira e dar a volta por cima, recomeçar.

Fui para casa pensando muito sobre esse papo na praia. Algumas horas depois, quando chego, vejo uma caixa com livros que comprei pela internet. Um deles chama-se: “Jorge Amado, um baiano romântico e sensual”, da editora Record, com depoimentos de João, Paloma (seus filhos) e Zélia Gattai (sua eterna esposa). Tive uma resposta linda sobre o assunto. Zélia descreve alguns fatos da vida dos dois de forma tão bonita e plena, que qualquer outra opinião se foi junto com as ondas do mar.

 Alguns trechos:

“Agora sim, ele estava em minha frente, a poucos passos. Eu nunca o vira de tão perto e o achei charmoso, pensei: apenas 32 anos, tantos livros, tantas aventuras, tantas desventuras…” e continua: “Mais de meio século se passara e ainda recordávamos, nesse ano 2000, detalhes do nosso relacionamento…”.  E ainda: “… quando voltávamos com Neruda do banquete oferecido a ele? Pediu ao chofer que parasse o táxi no mercado de flores em frente ao Municipal, comprou todos os cravos que enchiam um latão. Foi uma das maiores emoções da minha vida – disse-lhe – ver você abrir a porta do carro e dar um banho de flores…” e Jorge respondeu: “… você ficou mais linda e seus olhos brilharam como nunca”.

No primeiro beijo entre os dois. “Parados ficamos os dois na soleira da porta. Nos olhamos sem conseguir sair do lugar, as cabeças cada vez mais próximas, um olhar  diferente, e aí saiu o beijo. Beijo quente, de fogo… foi tudo muito rápido, mas o suficiente para me atordoar…”

Que lindo amor desse casal. E desde criança ouço falar dos dois, da união, do respeito e admiração mútua.

Faz-me lembrar um outro fato interessante de uma amiga, Regina. Ele escreveu em algum lugar: “Não procuro mais a sorte de um amor tranqüilo. Já tenho um”!

 

Bem.. isso tudo apenas ilustrou um pouco algumas diferenças de sentimentos. Acho bonito quem envelhece com um ou uma companheiro (a), quem fica velhinho ao lado do outro. Minha amiga Ju, disse-me outro dia, que agora que encontrou o seu amor quer ter filhos, ter sua casa com quintal, criar galinhas… isso tudo para mim, ficar velhos juntos, ter com quem dividir o amor e ainda se lembrar dos detalhes 50 anos depois, criar galinhas, nada mais é do que estar pleno, todo, inteiro, completo. Isso é AMOR!

~ por symaofrancisco em 28 28UTC julho 28UTC 2010.

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